O Fim do Proibicionismo: Argentina Regulamentou os Produtos Inovadores de Nicotina, Brasil é o Grande Ausente da Região
BRASíLIA, BRAZIL, August 12, 2026 /EINPresswire.com/ -- A rede global Somos Inovação e a Fundação Internacional Bases organizaram, no dia 11 de agosto, um importante evento — "O Poder da Inovação: Como a Argentina Mudou de Rumo e O Que Isso Significa para a Região". Com a legalização dos Produtos Inovadores de Nicotina (PIN) na Argentina ainda recente, médicos, cientistas e ativistas de vários países reuniram-se em Buenos Aires para debater as evidências subjacentes a esta mudança regulamentar.
O tema central das apresentações foi a diferenciação de risco entre o cigarro tradicional e os novos produtos de nicotina, com os casos do Chile e da Suécia a servir de espelho para o que poderá vir a acontecer na região.
No início do evento, Federico N. Fernández, CEO da Somos Inovação, apresentou uma explicação detalhada das principais alterações introduzidas pela Resolução 549/2026, que põe fim à proibição dos Produtos Inovadores de Nicotina (PIN) - tais como cigarros eletrónicos, produtos de tabaco aquecido e sachês de nicotina - e estabelece um quadro normativo para o seu registo, comercialização e supervisão. Esta nova resolução argentina contrasta com o atual isolamento do Brasil, que mantém a proibição dos PIN, provocando a persistência de um mercado ilegal e desregulamentado que não consegue proteger os consumidores, principalmente os jovens.
Federico N. Fernández comenta: "O cigarro de combustão está nos 100 e os sachês de nicotina nos 0,1. O Brasil proíbe os 0,1 e vende os 100 em cada esquina, tal como a Argentina fazia até há três meses. A linha divisória é a combustão, e nenhuma regulamentação séria pode continuar a ignorar onde ela se situa".
O evento prosseguiu com um painel médico que contou com especialistas de renome - o cirurgião Diego Verrasco (ARG), a pneumologista Mariana Rivera (ARG), a toxicologista e farmacologista Ingrid Taricano (BRA), o químico e professor universitário Miguel de La Guardia (ESP) e o médico e ex-presidente da Câmara dos Deputados do Chile, Marco Antonio Lozano (CHI). O painel centrou-se na vertente clínica do debate, referindo que o perigo dos cigarros reside na combustão, e não na nicotina, e na exposição muito menor dos utilizadores de cigarros eletrónicos a substâncias tóxicas. Foi também mencionado o exemplo da Suécia, onde a taxa de fumadores é de apenas 5% e a prevalência de cancro do pulmão é uma das mais baixas do mundo.
A Suécia foi uma referência constante. No mesmo evento, a sueca Carissa Düring, da Considerate Pouchers, participou no painel da sociedade civil juntamente com os brasileiros Miguel Okumura (THR Brasil) e Suely Castro (fundadora da Quit Like Sweden), o mexicano Fernando Briseño e o colombiano Francisco Ordoñez (ARDT Iberoamérica), numa mesa redonda centrada na perspetiva da sociedade civil. O Reino Unido, o Japão, a República Checa e a Grécia foram mencionados como outros bons exemplos.
Os dois oradores brasileiros do segundo painel comentam a nova decisão da Argentina e comparam-na com a situação no Brasil:
- "A decisão da Argentina de passar da proibição para a regulamentação representa um importante passo em frente. A proibição não faz com que estes produtos desapareçam. A regulamentação proporciona aos governos as ferramentas necessárias para proteger os consumidores, fazer cumprir as normas e oferecer aos fumadores adultos um acesso legal a alternativas ao cigarro", explica Suely Castro.
- "Se tenho uma política pública que foi criada para erradicar ou mitigar o consumo e o consumo cresce de 500 mil para 3 milhões, essa política não funcionou. De que serve uma política que não funciona? No Brasil, só existe mercado ilegal. A ANVISA foi muito eficaz a entregar 100% do mercado à ilegalidade. A redução de danos é urgente", comenta Miguel Okumura.
A experiência internacional e, agora, a mudança regulatória na Argentina enviam um sinal claro ao Brasil: manter a proibição não elimina os Produtos Inovadores de Nicotina, mas deixa a sua comercialização nas mãos de um mercado ilegal, sem controlos eficazes de qualidade, acesso ou idade. Ao optar pela regulamentação, a Argentina reconhece as diferenças de risco entre os diversos produtos e cria ferramentas para fiscalizar o mercado, proteger os consumidores e oferecer alternativas legais aos fumadores adultos. Seguir os passos da Argentina poderá ser um passo decisivo para o Brasil modernizar a sua política em matéria de nicotina e reforçar a proteção da saúde pública.
FIM
Sobre a Somos Inovação:
A Somos Inovação é uma rede dinâmica de indivíduos e instituições que acreditam fervorosamente no poder da inovação para impulsionar o progresso e resolver os problemas mais prementes do mundo. Com uma presença global que engloba mais de 50 think-tanks, fundações e ONG, a Somos Inovação representa as diversas vozes de uma sociedade civil global empenhada em fazer avançar a criatividade humana, adotar novas tecnologias e promover soluções inovadoras. Através da nossa abordagem colaborativa e conhecimentos de ponta, estamos a liderar mudanças transformadoras a uma escala global. Para saber mais sobre o nosso trabalho, visite-nos em https://somosinovacao.lat/
Federico Fernandez
Fundación Internacional Bases
email us here
Legal Disclaimer:
EIN Presswire provides this news content "as is" without warranty of any kind. We do not accept any responsibility or liability for the accuracy, content, images, videos, licenses, completeness, legality, or reliability of the information contained in this article. If you have any complaints or copyright issues related to this article, kindly contact the author above.